Contando sua História com:- Eliane Kunrath

Meu nome é Eliane Kunrath, mas prefiro ser chamada de Nany, moro em Paraíso/SC, sou estudante do curso de farmácia, tenho 32 anos. Sempre fui uma pessoa extrovertida, de bem com a vida, alegre, romântica... , amo viajar, sempre gostei muito de sair com amigos, mas também amo estar com minha família e curtir o máximo que posso.
Há 4 anos sofri um acidente automobilístico onde nasci de novo e com mais vontade ainda de viver. Hoje sou uma pessoa como qualquer outra, com sonhos, alegrias, tristezas, amigos, amores...


No dia 5 de junho de 2010 sem que eu esperasse papai do céu mudou minha vida em minutos, eu morava em Ribeirão Preto interior de SP, trabalhava no shopping Ribeirão, como fazia todo ano, vim para SC visitar minha família, estava tudo muito perfeito, transbordando de tanta felicidade, no dia 5 de junho teria o casamento de um casal de amigos em Ribeirão Preto, eu deveria ir. Mas queria curtir mais um pouco minha família e resolvi adiar meu retorno para o dia 6 de junho e não ir ao casamento. No dia 4 fui para uma festa junina, lá encontrei amigos e resolvemos seguir para um barzinho depois da festa junina, no retorno para casa, minha amiga que não bebeu resolveu dirigir, era uma noite perfeita, até que minha amiga perdeu o controle da direção e capotou o carro por várias vezes.
Não lembro exatamente com foi. Era em uma rodovia, estávamos eu e mais 2 amigas, fiquei desacordada por alguns segundos e quando acordei já estava fora do carro implorando por socorro, tudo muito escuro e eu sentindo muita dor, só queria que me tirassem logo da escuridão. Os amigos que estavam vindo atrás do nosso carro não pensaram em nada só em fazer o que eu pedia: "me tirar da escuridão" quando chegamos na pista toquei minhas pernas e não senti mais nada. Meu medo de morrer era tão grande que esse detalhe nem me preocupava. Eu só pensava em minha família e queria sair viva dessa. Fui encaminhada para o hospital regional, meu irmão foi comigo e quando perguntei o que estava acontecendo, ele só falou que eu teria que passar por uma cirurgia mais ficaria tudo bem e que eu voltaria a andar, mais infelizmente não foi assim que tudo ocorreu, fraturei as vértebras T10 e T11, paraplegia completa.


Como era sua vida antes da lesão?
Eu estava na melhor fase da mina vida tanto profissional quanto amorosa, tinha uma vida super ativa, trabalhava no shopping com vendas, namorava, malhava muito, amava correr, pedalar...

Como você se sentiu ao saber que não poderia mais andar e como superou isso?

No inicio não foi fácil, quando o médico me falou que minhas chances de andar seriam mínimas fiquei pensando em 1000 coisas, pensei que seria uma invalida e que a partir daquele dia eu viveria trancada dentro de casa, mas aos poucos fui mudando meu conceito, tenho uma família grande, que foi essencial para mim, foi minha base, tive amigos que me ajudaram muito, mas no inicio tenho certeza que é difícil para todos.
‘’O que não causa minha morte me deixa mais forte.”


Quais suas maiores conquistas sobre rodas?
A primeira de todas foi me tornar independente, no inicio precisava da ajuda da minha família para tudo (banho, cat, vestir roupas...). Viajar sozinha para qualquer lugar, tirar minha CNH nova, comprar meu carro, ingressar na faculdade e ainda tenho muitos objetivos.

Você é uma pessoa bastante ativa,o que você mais gosta de fazer nas horas vagas?

Amo estar com meus amigos (barzinho, restaurante ou na casa de algum deles) ver filmes.


Como ficou sua autoestima pós-lesão?

Nos primeiros meses estava “lá em baixo”, mas depois que fui para o Sarah e conheci outros cadeirantes , voltei com a mesma autoestima que tinha antes da lesão.


Como é sua rotina diária hoje?
Eu acordo 6:30 vou pra faculdade, volto meio dia, almoço e na parte da tarde descanso um pouco e depois vou revisar os conteúdos, fazer trabalhos e assim quase todos os dias, finais de semana gosto de sair um pouco  para distrair.

O que você mais valoriza?

Depois da lesão aprendi a valorizar mais os pequenos detalhes da vida, aprendi a me valorizar mais também, família e os verdadeiros amigos.



De que você se arrepende?

Não existe nada que eu me arrependa. 

Em que você cresceu como pessoa depois de tantas mudanças em sua vida?

Cresci e muito, primeiramente aprendi a não reclamar da vida. Aprendi que Deus sabe o que faz e se ele quis que minha vida seguisse esse caminho eu devo seguir feliz e lutando para ter uma vida melhor, olhar mais para os outros e não pensar tanto em mim mesmo. Não ir deixando nada para amanhã, “pois o amanhã pode ser tarde.” 

Rapidinhas:
Deus? Esperança.
Amigos? Essenciais.
Família? Minha base.
Trabalho? Futuro.
Amor? Mãe.
Saudade? Correr.
Cadeira de Rodas? Não vivo sem.
Superação? Traçar todas minhas metas.
Tristeza? Ignorância. 
Alegria? Viver.
Orgulho? Família. 





As pedras no caminho podem ser grandes, mas maior é a FORÇA, a CONFIANÇA e a FÉ que existe em cada um de nós. 






"Supere os desafios, bata recordes
O céu é o limite dos guerreiros.
Lute contra todas as suas limitações"




Seja feliz do jeito que você é, não mude sua rotina pelo o que os outros exigem de você, simplesmente viva de acordo com o seu modo de viver.

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Eliane Kunrath.

4 Comentarios

  1. Grato Nany pela bela contribuição !!! parabéns pela bela história de fé, alegria e superação!!!

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  2. muito bom seu relato
    a luta não para e a vida deve seguir

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