Contando Sua História com:- Luzeni Ribeiro

Meu nome é Luzeni Ribeiro, tenho 44 anos, solteira, de gênero forte, mesmo aparentando ser muito calma, minha deficiência foi causada pela poliomielite aos 5 meses de vida.



A polio atacou meu corpo inteiro, onde eu morava pouco se ouvia falar sobre essa doença, por esse motivo o diagnostico foi demorado. Assim que o médico identificou a doença começou um longo tratamento. Sem condições e com pouca orientação como proceder, eu saia todo mês da cidade do interior onde morava para Goiânia, em busca de tratamento, até mais ou menos uns 5 anos de idade eu me arrastava pelo chão, com o orientação médica tivemos que nos mudar para Goiânia, onde começou um novo mundo para mim. Passei por várias fases horríveis, primeiro o médico engessou minhas duas pernas para colocar elas no lugar, depois veio a adaptação às minhas novas pernas rsrs... um aparelho que me levou a conhecer a superação e assim eu fui a luta, passei por duas cirurgias nos pés. No início foi muito ruim, pois precisava dormir com o aparelho, e não conseguia dormir, sendo muito criança não entendia o "por que" de tudo isso, toda noite chorava querendo tirar esse aparelho, chorava eu e minha mãe que sentia dor no coração por me ver sofrendo e por várias vezes ela tirava o aparelho por não aguentar aquela situação, mais tudo foi válido. Fui me acostumando aos pouco e logo não precisava mais dormir com aquele aparelho. No meu meio familiar nunca sofri preconceito algum e os amigos de infância sempre davam um jeito de me colocar no meio de todas as brincadeiras.


Quando comecei a estudar, conheci o meu primeiro obstáculo de preconceito, em uma escola onde freiras eram diretoras, uma delas não queria me matricular pois disse que eu seria um centro de perguntas para os alunos, mas eu precisava estudar, pois assim ficaria mais fácil de conseguir o aparelho pois estaria provando a necessidade dele. Não era tão fácil conseguir esses aparelhos pelo governo, então umas dessas freiras disse que me matricularia mas eu não precisaria ir para à escola. Mas sempre temos um anjo em algum lugar e nessa mesma escola a outra freira não concordou e disse que iria sim me matricular e eu teria que frequentar as aulas mesmo que fosse apenas 3 vezes por semana. Foi assim que dei meu primeiro passo contra o preconceito e mostrei que não era diferente de ninguém. Fui bem acolhida pelos colegas, e a partir desse momento percebi que não devemos escutar o primeiro não e desistir.

Não tive ajuda desses centros de reabilitação como hoje tem, mas consegui um grande avanço e não me vejo como deficiente, tem coisas que faço do meu jeito, apenas vejo assim. Usei um aparelho da cintura para baixo nos últimos anos do segundo grau, foi necessário grande força de vontade para concluir os estudos, pois esse aparelho quando novo me machucava e quando estava gasto machucava mais ainda, minha cintura ficava com feridas, tinha dias que chegava em  casa chorando de dor, eu acha que isso era normal que tinha que usar e tinha que aguentar. resisti firme e não parei. No último ano coloquei na cabeça que eu ia tirar esse aparelho das minhas pernas e para isso teria que fortalece-las e melhorar meu equilíbrio. Passei a andar dentro de casa sem o aparelho, um dia sim, outro dia não, a semana inteira eu arruma um jeitinho de falar que o aparelho estava machucando, sendo assim eu ficava andando e treinando dentro de casa para que minhas pernas ficassem com uma força maior. Aos poucos percebi que eu não precisava mais do aparelho, não era como o médico falava: "que eu tinha que andar ficar com ele e pronto". Não concordei com a última avaliação do médico achei que ele poderia colocar um aparelho menor só nos pés, só nas pernas, mas ele queria que eu ficasse usando daquele jeito. Hoje ando apenas com muletas, tenho força nas pernas, consegui um grande equilíbrio no corpo. Sei que tudo foi através das mãos de Deus porque nenhum médico me aconselhou e nem me tirou esse aparelho. Eu tirei por conta própria. Disseram que eu teria problemas na coluna mais tarde, isso tem mais de 20 anos, nunca voltei ao ortopedista e falei sobre isso, com minha força de vontade fui mais além que poderia esperar de mim.


Os dias foram passando logo consegui o meu primeiro emprego com a ajuda da Associação dos Deficientes Físicos de Goiás ADFGO, trabalhei por 7 anos em um "Call Center", mas por trabalhar com movimentos repetitivos fiquei com tendinite e tive que me afastar do trabalho para tratamento, sentia dores horríveis nos dedos, braços e pescoço, por não ter uma melhora hoje estou aposentada por invalidez. Como isso é irreversível eu apenas tenho que ficar no controle de meus esforços para evitar o acúmulo dessas dores. Mas isso só veio acrescentar na minha vida um força maior, não desisti apenas passei a me cuidar um pouco mais. Assim fui conseguindo tudo que nem pensava que poderia conseguir, desistir é uma palavra que não gosto de usar. Sempre estou em busca de algo mais. Hoje estou trabalhando com serviços artesanais e venda de cosméticos, fiz alguns cursos de artesanato, tenho meu "ir e vir" meu carro que foi um sonho realizado. Adoro sair com amigos, fazer amizades, estar com minha família, gosto de vários estilos de música só não curto funk pois a maioria tem pobreza de letras, mensagens que doem meus ouvidos rsrs... algo que gosto bastante é o esporte apesar de não praticar nenhum.
Hoje olho para trás e vejo como tudo veio em seu tempo certo, se tem algo que ainda não conquistei é porque está por vir.
Se cheguei em algum lugar é porque Deus sempre esteve e estará em minha vida.





"Paciência e perseverança tem o efeito mágico de fazer as dificuldades desaparecerem e os obstáculos sumirem".





"Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado".




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                                                                                                                                           Luzeni Ribeiro.

11 Comentarios

  1. Grato Luzeni pela sua contribuição. Parabéns pela bela história, grande exemplo !!

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    1. Obrigado meu amigo David, eu que agradeço pelo convite e assim ver o seu lindo trabalho ....abço

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  2. Mulher de garra,não desiste nunca,show,admiro muitoooo

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    1. obrigado Rita, também admiro você muito minha amiga

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  3. Bela história Luzeni, vc é uma inspiração pra mim★★★

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    1. Rafaella obrigado pelo carinho de sua amizade, bjo amiga

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  4. Quem? falar da Luzenir? palavras ñ descrevem... fotos ñ mostram, gestos não são totalmente coniventes... mas como um simples sujeito as vezes sem jeito.. digo q é fato... o talento nato... q por ela foi desbravado... de ser uma pessoa amada por todos amigos... e se carece de depoimento.. eu conto e atento... que em todo o momento... me orgulho de dar tal depoimento... pois a celebridade do momento... merece todo o melhor tratamento... pois como amigo ainda q rabugento... confesso q aumento, mas não invento... o tamanho do meu contentamento...em ser um dos amigos q te apoiam e q te amam, A TODO MOMENTO..,. eeeeeeeeeeeeeeeee lú abraço sua liiiiiiiinda.

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    1. Que lindo amigo Ibercson, "Beto" é assim que gosto de te chamar, obrigado pelo carinho meu amigo, amigo de hoje e sempre, ter conhecido você foi mais um presente de Deus ... betooooo adoro sua amizade ...abraço

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Obrigado pelo carinho de todos .... muitos não conseguiram postar, mais viram a mim por outro meio de postagens e
    me deixou toda toda cheia de carinho ... meu muito obrigado!!!

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